Mercado de moda entra em nova era da Sustentabilidade

Produção circular promete aumentar a sustentabilidade no mercado de moda.

Atualmente os designers de moda encontraram novas formas de atrelar seu trabalho com a sustentabilidade, reaproveitando peças e retalhos descartados. Para isso utilizam métodos como: upcycling, pegadas de carbono e produção circular.

Esses novos métodos de produção se fazem necessários em um momento em que mais de 80 bilhões de peças foram adquiridas em apenas um ano, nos levando a pensar sobre o consumo desenfreado, matéria prima e descarte das peças.

“As fontes de matéria- -prima vão se esgotar, muitos ecossistemas já estão fortemente alterados. A boa notícia é que as empresas finalmente perceberam isso”, disse Sofa Martellini, do portal de tendências WGSN.

Divia Harilela

A produção circular, aposta para as fabricantes, marcas grandes e pequenas, traz uma nova era do mercado de moda com objetivo de aumentar o ciclo de vida do produto ou matéria prima utilizada: “O objetivo desse tipo de organização é que ela aumente o ciclo de vida de um item. Além de ser produzida da maneira mais inteligente possível, tem de ser uma peça que dure e que no final possa ser reaproveitada de alguma forma”, Sofa Martellini.

O portal de tendências WGSN prevê que até 2030 mais de 63% das marcas passaram a utilizar o processo de produção circular. Alternativa que possibilita a devolução de peças para as marcas. As peças devolvidas serão reutilizadas para produzir novas peças e consequentemente aumentar o ciclo de vida das fibras que seriam descartadas.

O processo já é usado pela grande H&M, que até 2030 pretende ter uma cadeia de produção 100% sustentável ou que utilize fibras recicladas. Para isso a marca vem coletando as peças de seus consumidores em postos de coletas, em troca recebem £ 5 que podem ser usados como parte do pagamento das suas compras no futuro.

 

Fermín Cacarecos – Réplicas

Mas ainda se faz necessário instigar a curiosidade do consumidor em uma sociedade que ainda valoriza o consumo acelerado, proporcionado pela liquidez e facilidade com que as pessoas trocam suas peças, e a rapidez com que as tendências mudam.

“Embora a maior parte do público jovem afirme que a ética e a sustentabilidade são fatores essenciais em suas decisões de compra, o comportamento deles sugere outra coisa: menos da metade (48%) das pessoas entre 18 e 24 anos reciclam suas roupas”, afirma Helen Mountney, diretora da consultoria Kurt Salmon, que divulgou os relatórios de uma pesquisa feita junto a 2.000 consumidores britânicos em abril de 2017. (Fonte: WGSN)

Podemos usar de exemplo marcas como a da designer Bruna Bomfim que através de formas orgânicas traz em seus acessórios a possibilidade de serem utilizados não apenas em sua forma original, mas podendo se transformar em colares, pulseira, bracelete, etc. Assim como o brechó curitibano Fermín Cacarecos que vem criando jaquetas a partir de lenços e camisetas a partir de lençóis descartados.

Bruna Bomfim – Design de Jóias

Além do processo circular, contamos com eventos como Fashion Revolution que faz com que os consumidores exijam das empresas a apresentação de seu processo de produção e de suas costureiras. A frente disso vem a necessidade de ver a moda como um ato político, quebrando o silêncio da terceirização irresponsável e desumana.

 

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Estudante de Design de Moda, me encontro nesta área com o fascínio de entender o mercado de moda e os padrões que permeiam a sociedade. Por esse motivo criei a FRANK'S HOUSE mag, site que vem com o próposito de questionar comportamentos rotulados.

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